Glamour, beleza, sensualidade. Provavelmente é o que passa na cabeça de qualquer um quando pensa em fotografia de moda. Mas não na de Terry Richardson. Fotógrafo por trás de campanhas para marcas como a Gucci e Miu Miu, o novaiorquino criado em Hollywood também já fez capas para a Vogue e GQ. Até aí, tudo bem. Exceto pelo fato de que as fotos de Richardson tem tudo, menos glamour. Tem Gisele Bündchen cabeçuda e com cigarrinho na mão. Tem James Franco depilando o sovaco. Tem a mãe do fotógrafo com sorriso indecente e banguela. Tem até Luiza e Yasmin Brunet com todas as imperfeições de fora, sem espaço pra retoques. O universo de Richardson é assim: decadente e ousado. Sem censura, sem pudor e indo muito além do que se poderia chamar de mau gosto.

Só que ninguém parece estar preocupado. Boa parte das celebridades mundiais posaria para as lentes bagaceiras de Richardson sem pensar duas vezes. Na verdade, eles andam pagando pra isso. A capa do último CD de Justin Timberlake, por exemplo, é assinada pelo fotógrafo.

O motivo do frisson? Terry sabe o que o povo quer. E dá em doses cavalares. Como bom artista, o cara descobriu queterryworld fotos bonitas e bem trabalhadas fazem uma boa capa de revista ou editorial de moda, mas não fazem pensar. Ninguém pára pra refletir sobre a vida de Gisele Bündchen quando ela está toda poderosa anunciando qualquer coisa: de perfume a TV por assinatura. No máximo, dá pra sentir um pouco de inveja. Mas não sob a ótica devastadora de Richardson. Em suas fotos, a Gisele “real” anuncia simplesmente o vazio de quem vive da imagem, o apocalipse do belo. É a tal “foto sem photoshop” que todo mundo quer ver. Mas de perto, ninguém quer olhar. É “muito pra cabeça”.

Pra quem curtiu o trabalho do cara, vale a pena dar uma olhada no livro “Terryworld”, lançado ano passado pela editora Taschen. Além da impecável editoração gráfica, a edição traz uma compilação de praticamente todo o trabalho do artista. O que significa que você vai ter vergonha de folheá-lo perto dos outros. Outro livro que vale a pena conferir é “Rio, cidade maravilhosa”. Sim, ele esteve por aqui. E não poupou nem Dercy Gonçalves. Sério. O site oficial (em inglês) também é uma boa pedida pra dar uma olhada, por cima, no portfólio de Richardson.

Bebendo em fontes como a pop art, o trabalho de Richardson tem traços de Andy Warhol, John Waters e até de Larry Clark. É a pílula vermelha de Matrix. Toma quem tiver coragem. E estômago. A idéia é justamente desmascarar a moda e o mundo e gritar que o “rei está nu”. Ou o presidente: nem Obama escapou das lentes de Terry. E graças a ele, está lá, pra todo mundo ver, que o homem mais poderoso do mundo tem pele oleosa, marcada e não vê adstringente faz tempo. E que esse negócio de glamour é pura conversa fiada.

(todas as imagens são do próprio Terry Richardson)