Moda
Fashion Rocks chega ao Brasil
Por Alexandre Macedo
Moda e música é uma fórmula que dá e dará certo, funciona e não é modismo. Estilistas precisam da música para dar movimento a sua coleção, quando as modelos dão o passo certo a cada look exibido pela passarela. Assim como é necessário ter o ritmo correto para a criação casar com a idéia do designer. Por outro lado temos os músicos, que sem a moda, sem o vestuário que os diferencia, precisam criar um estilo próprio quando estão no palco e acabam formando uma identidade visual como artista. Esse fator, muitas vezes, é essencial para o sucesso do mesmo com o seu público, comunicando, além da música, todo um life style. Inclusive hoje existem muitas bandas e artistas com stylists que coordenam a imagem e o figurino. História que se repete desde os anos 80, quando a rainha do punk, Vivianne Westwood, começou a vestir os Sex Pistols – na época ela era casada com o vocalista do grupo. Moda e música é um casamento, até que a morte os separe.
Indo ao encontro do que falo, aconteceu no último dia 24 de novembro, no Jockey Club do Rio de Janeiro, a primeira edição brasileira do Fashion Rocks, por aqui batizada de “Oi Fashion Rocks Brasil’’. O evento nasceu em Londres, com apoio do Príncipe Charles, e une música e moda. No Brasil, teve cunho beneficente revertido para a ONG Rio Solidário. Atrações internacionais com shows e desfiles de renomados estilistas da moda mundial deram o toque principal e especial.
Com mais de cinco edições realizadas pelo mundo, o Fashion Rocks é um sucesso nos Estados Unidos e na Europa. A lista de artistas que já se apresentaram em algumas de suas edições é extensa – Alicia Keys, Lily Allen, Whitney Houston e Chanel (Londres, em 2007); Bon Jovi, Blondie, Vivienne Westwood e Burberry (Mônaco, em 2005) – e impressiona. Após participar de uma concorrência envolvendo as cidades de Dubai, Xangai e Mumbai, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar esta primeira edição fora do eixo Europa-EUA.
O patrocínio master foi da Oi, maior empresa brasileira de telecomunicações e que, entre outras iniciativas, foi pioneira no desenvolvimento de uma estratégia de divulgação que associa sua imagem a um estilo de vida. Com esta diretriz, a companhia investe em ações de marketing de entretenimento. A moda ao lado do esporte, da música e da cultura é um dos pilares da estratégia da companhia.
O styling do espetáculo apresentado no Brasil foi da inglesa Katie Grand, que coleciona roupas desde os 14 anos e usa muitas peças suas nas produções que faz. Ela também já trabalhou como diretora de estilo nas revistas “Dazed & Confused“, “The Face” e “Pop“, e agora é quem manda na “Love“, publicação que está em sua segunda edição (sai apenas duas vezes por ano). Além disso, a garota produz desfiles de grifes como Prada, Louis Vuitton, Miu Miu e Giles Deacon.
Dentre as atrações, estiveram nomes de destaque internacional. Puffy Daddy, que é vestido pela grife que cantou
– Versace – teve seu show aberto pela top model brasileira Isabeli Fontana. Na sequência, a banda novata Stop Play Moon fez a trilha de Alexandre Hercovicth – a vocalista é musa do estilista. Wanessa e Ja Rule, atrações muito aguardadas, se apresentaram para André Lima. Ciara cantou para Givenchy, enquanto que Estelle, que estourou com seu hit “American Boy”, se apresentou com a moda praia de Lenny. Grace Jones, bastante performática, trocou três vezes de chapéu e vestia um colant preto com uma capa que se mexia parecendo que estava ao vento, cantou e dançou para o desfile do queridinho das fashionistas, Marc Jacobs. Lino Vilaventura, último estilista nacional da noite, apresentou um mix de suas coleções na voz de Daniela Mercury. A dupla foi perfeita na brasilidade da voz de Daniela e no trabalho manual de Lino, uma de suas admiradas características.
Por fim, Mariah Carey encerrou os desfiles, vestindo um longo preto modelo séria, e os looks de Calvin Klein, pela direção criativa do brasileiro Francisco Costa. A noite fechou com chave de ouro ao som da bateria da Grande Rio, deixando um gostinho de quero mais. A próxima edição, em 2010, do Fashion Rocks, já foi confirmada pela atriz e modelo Fernanda Lima, que foi elogiada pela apresentação que fez de todo o evento.

Glamour, beleza, sensualidade. Provavelmente é o que passa na cabeça de qualquer um quando pensa em fotografia de moda. Mas não na de Terry Richardson. Fotógrafo por trás de campanhas para marcas como a Gucci e Miu Miu, o novaiorquino criado em Hollywood também já fez capas para a Vogue e GQ. Até aí, tudo bem. Exceto pelo fato de que as fotos de Richardson tem tudo, menos glamour. Tem Gisele Bündchen cabeçuda e com cigarrinho na mão. Tem James Franco depilando o sovaco. Tem a mãe do fotógrafo com sorriso indecente e banguela. Tem até Luiza e Yasmin Brunet com todas as imperfeições de fora, sem espaço pra retoques. O universo de Richardson é assim: decadente e ousado. Sem censura, sem pudor e indo muito além do que se poderia chamar de mau gosto.
fotos bonitas e bem trabalhadas fazem uma boa capa de revista ou editorial de moda, mas não fazem pensar. Ninguém pára pra refletir sobre a vida de Gisele Bündchen quando ela está toda poderosa anunciando qualquer coisa: de perfume a TV por assinatura. No máximo, dá pra sentir um pouco de inveja. Mas não sob a ótica devastadora de Richardson. Em suas fotos, a Gisele “real” anuncia simplesmente o vazio de quem vive da imagem, o apocalipse do belo. É a tal “foto sem photoshop” que todo mundo quer ver. Mas de perto, ninguém quer olhar. É “muito pra cabeça”.
Bebendo em fontes como a pop art, o trabalho de Richardson tem traços de Andy Warhol, John Waters e até de Larry Clark. É a pílula vermelha de Matrix. Toma quem tiver coragem. E estômago. A idéia é justamente desmascarar a moda e o mundo e gritar que o “rei está nu”. Ou o presidente: nem Obama escapou das lentes de Terry. E graças a ele, está lá, pra todo mundo ver, que o homem mais poderoso do mundo tem pele oleosa, marcada e não vê adstringente faz tempo. E que esse negócio de glamour é pura conversa fiada.