“Pernas pro Ar” confirma o talento de Claudia Raia

Se há uma verdadeira Diva no Brasil, essa se chama Claudia Raia! Suzana Vieira, Betty Faria, Vera Fisher ou Regina Duarte que me perdoem, mas La Raia é a única que pode, com a consciência tranquila, ser chamada de ‘artista completa’. E seu novo espetáculo, “Pernas pro Ar”, é a prova perfeita disso: ela canta, dança e atua com igual desenvoltura, mostrando um talento inquestionável.

Com argumento do escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo, texto de Marcelo Saback (que já havia adaptado outra escritora do Rio Grande do Sul – no caso, Martha Medeiros – para o teatro, em “Divã”) e direção de Cacá Carvalho, “Pernas pro Ar” é um veículo ideal para os anseios e capacidades de Claudia Raia. Aqui ela aparece como uma dona de casa medíocre, que leva sua vidinha comum e sem solavancos até o dia em que suas pernas decidem se revoltar contra essa mesmice. Desse modo, ela passa a se arriscar em coisas novas, como uma aula de aeróbica mais movimentada, uma visita médica apimentada ou até mesmo um debate entre crenças religiosas de última hora. Tudo para experimentar um lado mais alegre, colorido e inesperado da própria vida.

Como fica bem claro, Veríssimo cedeu apenas a ideia, o conceito do espetáculo. E nada é mais Veríssimo do que presenciar pessoas comuns em situações extraordinárias. Claudia Raia, a partir deste ponto, transformou tudo segundo o seu ponto de vista, agitando esta mistura. Como resultado temos uma sequência de sketches, que se sucedem sem grandes surpresas, mas de forma ordenada e envolvente. Tudo começa num sonho, e assim – aparentemente – termina. Se o Diabo lhe aparece para ensinar uma nova música, o melhor é não resistir e aprender logo como se dança, não?

“Pernas pro Ar” é um musical no conceito original do termo, com muitas canções, figurinos e um cenário simples, porém bastante criativo, dotado de interessantes projeções que em questão de segundos nos arrastavam de um universo a outro. As músicas – a grande maioria versões nacionais de sucessos estrangeiros – não soam tão estranhas, e muitas casam com perfeição com o roteiro. “Febre” (“Fever”, de Peggy Lee), e “Tudo é Transformação” (“You Can Leave Your Hat On”, do Tom Jones), são algumas das mais facilmente reconhecíveis. Dá vontade de comprar o CD após a apresentação, para irmos embora cantarolando temas que se adaptaram bem ao nosso português.

Entre os coadjuvantes, os principais destaques estão entre os homens, que dominam a ação com tranqüilidade. Entre as mulheres, chama atenção apenas o número das santas – um dos mais cômicos – em que elas justificam suas participações. Mas nada é mais importante em todo este incrível show do que Claudia Raia, uma mulher empreendedora que merece com respeito e admiração uma intensa salva de palmas. É possível ver no rosto dela a satisfação por cada passo, nota ou sorriso bem dado, todos refletidos na platéia em perfeita sintonia. “Pernas pro Ar” deixa qualquer um de queixo caído, tão realizado quanto a estrela que dominou o palco por inteiro. E esta sensação é mais do que merecida!

www.pernasproar.com.br

About Robledo Milani

graduado em Comunicação Social pela UFRGS (www.ufrgs.br), já atuou como Publicitário e como Jornalista. Crítico de cinema, membro da ACCIRS, publicou artigos em revistas como Junior (www.revistajunior.com.br) e Aplauso, além de ter atuado também como produtor de televisão e comentarista de rádio. Escreve por prazer, não por obrigação.
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